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Os Livros, Os Livros

 

 

Para Monteiro Lobato, In Memoriam

 

Os livros não estão prontos pra você

Na biblioteca, dizendo

Me pegue, me pegue

-Leia-me, leia-me!

(Ou, os livros estão prontos para você

Em qualquer lugar dizendo

Me pegue, me pegue

-Leia-me, leia-me?)

 

Siga-os livros

Sinta os livros

Cheire-os pelas mãos, pelos cotovelos

E eles ali nas salas de leituras

Nas prateleiras entre molduras

Aguardando você se abrir para vê-los

Lê-los, sabê-los...sê-los...

 

Os livros estão lado a lado

Poemas, contos, romances bordados

Ilusões, aventuras, juvenis

Todos com capas, orelhas, perfis

Esperando serem sondados

Descobertos, possuídos, levados pra casa

Levados pelo coração

Levados pela imaginação

Para clarificarem ideias, criarem asas...

 

Algum livro espera por você nalgum lugar

Discreto, secreto, infinito particular

Querendo ser lido – querendo ser devorado

Para você finalmente se sentir e se achar

Dentro de si em seu mais perfeito e puro estado

 

Um livro é uma estrada

Uma vida empapelada

Com começo, meio e fim

Um livro é como você assim

Uma Alma-luz querendo ser revelada

 

Em vez de sofrer e ir pescar

Em vez de sentir e ir pro bar

Ou sair chorando para não se ferir

Ou se esconder na solidão para orar

Leia um livro pra você se encontrar

Para você sensível se inquirir

Sentir a dor do outro

Num outro magnífico estar...

 

Como você mesmo é a sua página predileta

Leia o livro de um contador de historias ou de um poeta

Para você então alumbrado sorrir e chorar

Pois todo ser humano só verdadeiramente se completa

Quando é um curioso e feliz rato de biblioteca.

 

-0-

 

Silas Correa Leite, Santa Itararé das Artes, Cidade Poema

E-mail: poesilas@terra.com.br

Blogue: www.portas-lapsos.zip.net

 

 

 

 



Escrito por bibliotecathomazia às 12h43
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Asnonauta - O Viciado Amigo Que Se Tornou Um...
Silas Corrêa Leite
poesilas@terra.com.br

ELE ERA O MEU MELHOR AMIGO. Bonito rapaz, simpático, educado, inteligente, família rica, fazia amizade muito facilmente, de fácil convívio, sempre companheiro e solidário com todo mundo. No começo queria ser florista ou médico, depois presidente da república, depois astronauta, depois baladeiro ou cantor de rock.

Começou com um cigarro Hollywood (era bonito e chique o maço), sem filtro, e umas caipirinhas aqui e ali com amigos, mais cervejas, aberturas e precipitações de estimas próprias da idade jovial. Sonhava em viajar bastante, conhecer a vida, costurar histórias de aventuras, sacar o mundo, ser poeta, quem sabe até ir até o Nepal ou virar gente de papo cabeça, auto astral, seguro de si, tipo zen.

Saiu de nossa aldeia a Estância Boêmia de Itararé, para aprender lições novas, curtir baratos afins, adquirir experiências mágicas, pintando uma busca de vida para ser feliz, com grande perspectivas de sucesso, fazer seu pé de meia, brilhar na vida, deixar sua marca na história.

Amou e foi amado.

Mudamos de caminhos. O tempo quis assim. Nos perdemos pela estrada da vida. Eu repensei loucuras e caprichei nos estudos, em busca do meu ideal, a minha lenda pessoal, entre elas Ser Escritor.

Soube dele procurando sarna pra se coçar, quebrando a cara, tornando-se arredio. Era muito sensível, tava literalmente "numas". De maconhas, comidas naturebas, químicas experimentais, trilhas e gente da pesada, os seus rebeldes e modernos de ocasião pra consumo. Agrediu familiares. Rifou a vida.

Andou fugido de várias maneiras. Vendeu sua coleção de sonhos impossíveis, trocou farpas e esperanças, montou barracos com autoridades e parcerias, além de ter juntado más companhias, entre tantos manés de percurso, amigos do alheio, amigos de ocasião, interesseiros Amigos da onça. Era um guerreiro em trincheira errada, sem sacar direito lutas íntimas, ou buscar ajuda em quem ocasionalmente o poderia salvar de si mesmo...

Eu era pobre, simples, feio e triste, não tinha direito a errar sob perda de ferrar todo um clã dependente de mim para marcar presença no livro da vida em tempos de vacas magras. Fiquei mesmo só nas cervejinhas em finais de semana. Ele foi experimentar cocaína na terra do nunca, perdendo a ilusão da estrada de tijolos amarelos e o controle de suas estadias e buscas.

Começou a colecionar pesadelos, neuras, depressões do gênero. A família tentou gritar, fazer com que ele pulasse fora daquela canoa furada. Era tarde. Muito tarde. Tarde demais. Ele se achava o dono da cocada preta, o rei dos lances e das espertezas sem pé nem cabeça, com comportamentos que só prestavam pra ele, em atitudes babacas.

Eu me formei com muito custo, tirei a barriga da miséria, reencaminhei parentes e entrei muito nessa força tarefa de sobreviver com as mãos limpas. Lancei um livro de poemas, larguei a farra, ganhei lastro. Ele, na economia informal de fundo falso, caiu perto da marginalidade do contrabando pirata. Quem o viu numa quebrada, teve medo do esqueleto que ele se tornou. Estava perdendo os dentes, a visão já míope, a fé, a moral. Refém de seu inferno particular, de sua marginalidade temporã, seqüestrado pela insanidade de desocupado entre amigos do alheio querendo tirar vantagens.

Viciado barbaridade. E bobo ainda, se achando o máximo. E quase nada, nem ninguém. Na rua da amargura e se julgando o tal, o escolhido, entre restos e lixos. Embarcou numa canoa furada. Ficou acabado. Só vendo pra crer.

Pensara que era o sabichão de sempre, mas não era. Tinha escolhido a via errada para se encontrar consigo mesmo. O gênio se perdera. Era um especialista em escapes químicos sem volta. A pobre mãe morreu de desgosto. Foi repudiado onde tentou se esconder, pois rejeitos sociais não aceitam cacos do espelho. Virou um marginal da periferia descalça. Cadê a inteligência? Deixou de se amar. Perdeu o respeito próprio. Entre bandidos e policiais na cola, virou um banana ou nem sequer isso. Perdeu referências. Apostou errado. 

Começou a apodrecer de alguma forma, Meu Deus! Um dia, uma data ignorada, entre bocas de fumo e válvulas de escapes, ratos, arapucas e esgotos a céu aberto, o acharam ligadão. Overdose por acidente, pois as tragédias amam perdedores. Foi aperitivo de vermes. Cemitério clandestino. Foi apagado das paradas.

Era muito vivo e não sacou a besteira que fez de sua vida. Era muito inteligente e culto, e de que isso lhe valera? Eu chorei escondido quando soube. Fiz poemas de tristeza profunda por isso. Escrevi essa crônica várias vezes, até resolver passá-la a limpo, o que me doeu muito, me custou demais, me pesou tanto, mais do que podem imaginar. Pareceu-me uma balada perdida por um ocasional "laranja" da vida que não mandou bem. O que queria ser Astronauta - e foi um Asno, como disse um parente seu que perdeu dez anos de vida sofrendo pela frustração com tanta capacidade de sucesso atirada pela janela - e que o classificou em prantos de um pobre "Asnonauta".

Viveu em vão. Perdeu a lição dessa viagem de existir. Passou pela vida e se atirou no leprosário dos anônimos pra uso e consumo da ralé com o pagamento da própria vida. 

Eu continuo só nas minhas cervejinhas, e olhe lá. Eu conduzo minha própria vida, nada e ninguém faz uso de mim. Eu mantenho o meu controle pra não me perder de mim. Ninguém me toca se eu não quero ser tocado. Eu sou o que me permito ser, com a mente sã, o corpo forte, a mente aberta, o olho vivo, sempre, no amor e na dor, orando e vigiando. Continuo só poeta. Não posso mudar o mundo, mas mudei a mim mesmo, e isso foi mais difícil do que eu pensava, do que eu mesmo podia imaginar. Os sensíveis sofrem. 

E ERA ELE QUEM TINHA UM FUTURO ESPETACULARMENTE PROMISSOR. Perdeu-se de si. Quando me lembro dele, meu coração pesa a memória de um lírio laranja que foi na onda de um vento transversal, sem saber que estava sendo usado, dando lucro pra marginais. Como tiraram proveito da bondade dela. Como usaram sua sensibilidade.

Podia lhe dedicar uma vida inteira, e aqui agora aqui só lhe dedico de despedida e dor dessa minha triste crônica feita às pressas, no vácuo de uma correria louca para ser feliz dentro do meu próprio limite, com as minhas próprias forças naturais, com minhas próprias mãos de poeta sonhador...Com os meus próprios pés descalços de peregrino...Com a minha simples razão de SER FELIZ que é a melhor vingança contra tudo e contra todos! 

(Depoimento Sobre um Amigo Perdido)

 



Escrito por bibliotecathomazia às 10h28
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Poema do Guri Pobrinho

Como eu era um guri humilde, bem pobrinho

Nunca pude ir com os coleguinhas da escola

Para as excursões ao zoológico que eram caras

Nesses dias sozinho e triste em casa eu ficava

Enquanto meus amigos pro zoológico viajavam

E eu dormia... e ao dormir... então, sonhava

 

Eu estava comigo num zoológico incrível e lá

Logo dava de inventar meus próprios bichos

No escape-toleima da minha pueril imaginação

E era o Jacaré-Leão

O Super-Pato Laranja

Ou a Lagartixa-Verde-Ranho-Limão

 

Na minha cabeça, na minha mente

Às vezes o zoológico era pura diversão

À vezes lógico, mas muitas vezes não...

E toma Tamanduá-Jipe

Ou até mesmo Peixe-Voador

Quando não alguma Baleia-Flor

 

Nessa minha aventurosa misturança

Nos meus áureos tempos de criança

As irmãs reinando me achavam meio pancada...

Mas no outro dia de aula, a viajosa gurizada

Contava fuzarcas da viagem, da bicharada

Eu cara de tongo sonhador não contava nada

 

E toma Zebra-Bicicleta

E toma Tartaruga-Estrela

Quando não Tatu-Liquidificador

Decerto eu, para de alguma forma de salvar

Do meu próprio reino encantado era inventor

 

Quando a gente é pobrinho só resta o sonhar

Vive num encantário... na ilusão, a imaginar

Uma outra vida para sobreviver... escapar

E mesmo assim, nunca deixar de BRINCAR !

-0-

 

Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes

CEM ANOS DE TOMÉ TEIXEIRA NA EDUCAÇÃO

Entra Aluno – Sai Cidadão

E-mail: poesilas@terra.com.br -o- Site: www.itarare.com.br/silas.htm

Blogue: www.portas-lapsos.zip.net

 



Escrito por bibliotecathomazia às 14h09
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Professor Poeta Silas na Biblioteca da Escola



Escrito por bibliotecathomazia às 23h06
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A Escola é Você Quem Faz. Que Escola VC é?

 

 

 

A Escola é você quem faz, é você quem faz da escola a sua cara, o seu jeito, já pensou? Que escola você quer, que escola vc é, que escola precisamos ser do jeito que amamos para numa boa crescermos estudando gostosamente?

 

-Se você quer estudar bastante, a escola vai ter que prover seu interesse e você ganhará com isso...se você não gosta de estudar, o que é que você vai ser quando crescer?

 

-Se você copia todas as lições, faz os trabalhos, estuda em casa, que beleza, você será um vencedor como cidadão...se você não gosta de estudar, como você vai falar bem, escrever bem, para fazer um teste e arrumar um trabalho para ter seu salário?

 

-Se você vem para a escolar para fazer tudo o que quer, sem ser exatamente estudar que é a função da escola ensinar você, o que você espera mudar em seu futuro...se você estudar muito, vai ser muito, se não estudar nada, pode ser nada...

 

-Se você adora o seu professor que, depois dos seus pais, é aquele que se preocupa com você sem ser seu parente, você certamente terá mais facilidades para aprender guardar, refletir e ser brilhante na vida...se você não gosta de professor nenhum, então você não gosta de você.

 

-Se você é responsável, estuda, cobra uma aula gostosa, é educado, trata bem seus colegas e os funcionários da escola, você já está bem preparado para ser um cidadão e correr atrás da realização de seus sonhos...se for ao contrário, bem, você precisa saber que, além da escola que agrega, ajuda, norteia, tem paciência, permite o aprendizado de habilidades e tomada de consciência, existe a escola da vida...

 

E a dura escola da vida repete, não perdoa, segrega (principalmente quem não estudou), limita, pune, então você repete de ano, repete de vida, repete de VC. Já pensou, VC perder pra VC mesmo?

 

Se você não gosta de estudar, vem pra escola e não estuda, então você tem um problema: Você mesmo. E Escola é lugar de estudar. Estudar deve ser primeiramente na escola. Se você não está estudando, de alguma maneira você está fora da escola. Não está cuidando bem de você. O que você vai fazer de você sem estudos?

 

Silas Correa Leite

E-mail: poesilas@terra.com.br

www.itarare.com.br/silas.htm

 

 



Escrito por bibliotecathomazia às 21h35
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Escrito por bibliotecathomazia às 21h11
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Escrito por bibliotecathomazia às 21h08
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Escrito por bibliotecathomazia às 12h14
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Os Livros, Os Livros

 

 

Para Monteiro Lobato, In Memoriam

 

Os livros não estão prontos pra você

Na biblioteca, dizendo

Me pegue, me pegue

-Leia-me, leia-me!

(Ou, os livros estão prontos para você

Em qualquer lugar dizendo

Me pegue, me pegue

-Leia-me, leia-me?)

 

Siga-os livros

Sinta os livros

Cheire-os pelas mãos, pelos cotovelos

E eles ali nas salas de leituras

Nas prateleiras entre molduras

Aguardando você se abrir para vê-los

Lê-los, sabê-los...sê-los...

 

Os livros estão lado a lado

Poemas, contos, romances bordados

Ilusões, aventuras, juvenis

Todos com capas, orelhas, perfis

Esperando serem sondados

Descobertos, possuídos, levados pra casa

Levados pelo coração

Levados pela imaginação

Para clarificarem ideias, criarem asas...

 

Algum livro espera por você nalgum lugar

Discreto, secreto, infinito particular

Querendo ser lido – querendo ser devorado

Para você finalmente se sentir e se achar

Dentro de si em seu mais perfeito e puro estado

 

Um livro é uma estrada

Uma vida empapelada

Com começo, meio e fim

Um livro é como você assim

Uma Alma-luz querendo ser revelada

 

Em vez de sofrer e ir pescar

Em vez de sentir e ir pro bar

Ou sair chorando para não se ferir

Ou se esconder na solidão para orar

Leia um livro pra você se encontrar

Para você sensível se inquirir

Sentir a dor do outro

Num outro magnífico estar...

 

Como você mesmo é a sua página predileta

Leia o livro de um contador de historias ou de um poeta

Para você então alumbrado sorrir e chorar

Pois todo ser humano só verdadeiramente se completa

Quando é um curioso e feliz rato de biblioteca.

 

-0-

 

Silas Correa Leite, Santa Itararé das Artes, Cidade Poema

E-mail: poesilas@terra.com.br

Blogue: www.portas-lapsos.zip.net

 

 

 

 



Escrito por bibliotecathomazia às 12h12
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Silas Corrêa Leite, Poeta, Trabalha na Biblioteca Thomazia Montoro-SP

 

Toada da Lavadeira do Chafariz

Lá vem a lavadeira pobre
Do chafariz do Bairro Velho
Trouxa no pixaim cor de cobre
O calcanhar de frigideira por chinelo

Lá vai a lavadeira triste
Lavar roupa encardida no chafariz
Não sabe que esperança existe
Canta a pobrinha fingindo que é feliz

(refrão)
Lava roupa de linho
E de algodão
Com seu olhar tristinho
Passa sabão

E se a sujeira pega
Ela esfrega
Esfrega
Esfrega
Até arrancar o couro da mão

-0-

Letra: Silas Correa Leite
E-mail:
poesilas@terra.com.br
Site: http://www.itarare.com.br/silas.htm
(Aceita-se música)



Escrito por bibliotecathomazia às 12h11
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Caminhança

 

Escolher um caminho

É ser o caminho

Ter uma opção

É querê-la

Escolher uma pessoa

É habitá-la

Ter uma visão

É para a realização dela

Escolher um caminho

É ser esse caminho

Caminhá-lo, descobrí-lo, amá-lo

Para a posse

Temos que nos aceitar como somos

Com erros, defeitos, faltas de peças de reposição

Se não amarmos, não seremos felizes

Somos o caminho de nós mesmos

O caminho bifurca, surpreende

Nunca esgota horizontes

Mas é todo seu, todo você

Uma fronteira evocada a cada dia

Seja o seu caminho, você

Use e abuse, habitando-o

Quando vier o fim de seus dias de existencialização

Dirás: eu me refiz, e venci

O primeiro passo é vencer à você mesmo

Caminhar é, sempre, evoluir

Escolha o seu caminho-você

Pra poder perder lastro, ser feliz, voar, evoluir!

 

-0-

 

Silas Correa Leite, Itararé-SP

Blogue: www.portas-lapsos.zip.net

E-mail: poesilas@terra.com.br

 



Escrito por bibliotecathomazia às 14h39
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Oração das Bibliotecárias

 

Para a Bibliotecária Carmem da EE Thomázia Montoro, Vila Sonia, São Paulo

 

 

Abençoai, Senhor, as Bibliotecárias

Que carregam todo aquele mundo letral nos ombros

Dai a pomada de Vossa capa de rosto infinital

E o conteúdo criacional de Vosso lastro de acervo de fé, afeto e luz.

Abençoai, Senhor, as Bibliotecárias

Que tiram o manto diáfano da fantasia literal

E nos ensinam tantas páginas abertas no sensorial

Dando nos horizontes, estradas, paisagens e encantários de pomposos livros.

Abençoai, Senhor, as Bibliotecárias

Que controlam e registram entradas e saídas de viagens em brochuras

Como um portal de consistências literárias em tantas aventuras

Acrescendo-nos com garbosos mapas de encantários e fantasias.

Abençoai, Senhor, as Bibliotecárias

Daí-nos assento para bem receptarmos romances, novelas e poesias

Fazei com que sempre elas sejam estrelas brilhantes em constelações extraordinárias

Assim na terra como no céu de tantas imaginações históricas e hilárias.

Abençoai, Senhor, as Bibliotecárias

Livros abertos em registros com estatura de idéia, iluminura e voz

Fazei com que tenham paciência para que não nos percamos de nós

Pois temos expectativas de conquistas culturais em ilhas mágicas de Crusoés.

E por fim, Senhor, além de abençoar as Bibliotecárias

Daí-nos sensibilidade de muito bem ler, guardar e sentir

Além do que podemos sabiamente pensar, crescer e refletir

Porque cada livro aberto é um ponto de partida para a alma em pomadas,

contentezas, prazeiranças e leituras com magnas matizes

E as Bibliotecárias têm chaves que abrem janelas, portas e sótãos em tintas

e nuances de maravilhosos finais felizes!

-0-

Silas Correa Leite

E-mail: poesilas@terra.com.br

Site: www.itarare.com.brSilas.htm

Autor de Campo de Trigo Com Corvos, Contos, Editora Design

 

 

  

 



Escrito por bibliotecathomazia às 12h30
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Escrito por bibliotecathomazia às 09h49
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Poema do Guri Vendedor de Limões

 

Lá vem o guri berebento

Vendedor de limões verdes

Com cracas, com amarelão

Ele é triste, humilde, desenxabido.

-Vai comprar limão, Dona Carlota Sinhá?

-Quer limão, Profetio? – pedimplora o piá.

O guri tem olhos lambidos de boi guzerá

Mais triste do que ele em Itararé não há.

Devem bater nele de relho, coitadinho

Deve passar uma fome caipora na sua vidinha

A acidez da fruta que vende baratinho

Nem lucro direito dá

Mas deve vir de sua alma de bala azedinha.

Não sabe o curumim, no seu triste enredo

Porque é apenas um moleque aprendiz

Que a maior vingança é ser feliz

Mas certamente ele descobrirá o segredo.

O olhar do menino pobrezinho é da cor

Dos limões azedos que vende

Mas as lágrimas, coitadas

Jamais darão limonadas.

-0

Silas Correa Leite, República Etílico-Rural de Itararé

E-mail: poesilas@terra.com.br

Blogues: www.portas-lapaos.zip.net

www.campodetrigocomcorvos.zip.net

 

 



Escrito por bibliotecathomazia às 11h06
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Escrito por bibliotecathomazia às 11h46
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